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Cuidados e reparação

Restauro de filigrana: como se recupera uma peça antiga

Corações de Viana sem enchimentos, brincos amolgados, pendentes descolados: o que acontece na bancada quando se restaura filigrana.

Ignis Jewellery, , 3 min de leitura
Restauro de filigrana: como se recupera uma peça antiga

A filigrana é das técnicas mais bonitas da joalharia portuguesa, e também das mais frágeis. Os fios são finos, as soldaduras são muitas, e décadas de uso deixam marcas: enchimentos que se soltam, estruturas amolgadas, argolas partidas. Restaurar filigrana é um trabalho lento, que pede conhecer bem a técnica com que a peça foi feita.

Os danos mais comuns

  • Enchimentos em falta: pequenas espirais que se soltaram e perderam.
  • Fios partidos ou levantados, que prendem na roupa.
  • Estrutura amolgada, sobretudo em peças com volume, como corações e contas.
  • Soldaduras soltas entre as duas metades de uma peça.
  • Argolas e fechos gastos ou partidos.
  • Reparações antigas mal feitas, com excesso de solda ou fios substituídos por outros diferentes.

Como se faz o restauro

1. Avaliar

Primeiro, observa-se a peça à lupa: o metal, o tipo de fio, a forma dos enchimentos, as reparações anteriores, as zonas frágeis. Decide-se o que restaurar e, igualmente importante, o que não mexer.

2. Limpar com cuidado

A sujidade acumulada entre os fios esconde danos. A limpeza é delicada, sem escovas agressivas nem polimento, para não dobrar fios nem apagar a pátina.

3. Endireitar a estrutura

As zonas amolgadas são devolvidas à forma com ferramentas de madeira ou de metal polido, aos poucos. Forçar pode partir soldaduras.

4. Reconstruir os enchimentos

É o coração do restauro. O fio novo é preparado à mão — estirado, torcido e laminado — na mesma espessura e com a mesma torção do original. Os enchimentos são enrolados um a um para copiar a forma dos que existem, e encaixados no lugar.

5. Soldar sem estragar

Numa peça antiga, as soldaduras existentes podem voltar a derreter com o calor. Por isso usa-se solda de ponto de fusão mais baixo, calor muito localizado e, por vezes, protege-se o resto da peça. É o passo que mais experiência exige.

6. Acabar à medida da peça

O objetivo não é que a peça pareça nova, mas que pareça inteira. As zonas restauradas são acabadas para acompanhar a pátina do resto.

O que não se deve fazer em casa

  • Não endireite fios ou estruturas com alicates: parte as soldaduras.
  • Não use cola: impede um restauro posterior.
  • Não use limpezas por imersão agressivas nem ultrassons sem saber o estado da peça.
  • Guarde os enchimentos soltos que encontrar: às vezes podem ser recolocados.

Depois do restauro

Uma peça em filigrana restaurada volta a poder ser usada, com alguns cuidados: guardá-la numa caixa onde não seja esmagada, limpá-la só com um pano macio e tirá-la para atividades em que possa prender. Veja os nossos conselhos de cuidado com a prata.

Restaurar ou deixar como está?

Nem sempre restaurar é a melhor opção. Uma peça com valor histórico pode ser mais interessante com as marcas do tempo do que totalmente refeita. O critério é o uso: se quer voltar a usá-la, restaura-se o necessário para isso, com o mínimo de intervenção.

No atelier, a filigrana é a técnica que mais trabalhamos — nas nossas peças e no workshop de filigrana. Se tem uma peça para recuperar, envie-nos uma fotografia através do serviço de restauro de filigrana.

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