Joias partidas: o que tem arranjo e o que fazer antes de as levar ao ourives
Um guia por tipo de avaria: correntes, fechos, brincos, anéis, garras e peças amolgadas. O que tem arranjo, o que não tem e como guardar a peça até lá.

Quase toda a gente tem uma gaveta com joias partidas à espera de um dia. Uma corrente com um elo aberto, um brinco sem par porque a tarraxa se perdeu, um anel com uma pedra solta. Muitas destas avarias têm arranjo simples. Este guia ajuda a perceber o que tem solução — e o que fazer até lá.
Correntes e fios
O problema: um elo abriu ou partiu, normalmente perto do fecho ou num ponto de tensão.
O arranjo: em prata e ouro, o elo é fechado e soldado. Se o elo se perdeu, acrescenta-se um novo, do mesmo tipo. Em correntes muito finas o trabalho é minucioso, mas possível.
Atenção: uma corrente que parte sempre no mesmo sítio pode estar gasta nessa zona. Às vezes compensa substituir o troço, ou o fecho.
Fechos
O problema: a mola já não fecha, o fecho abre sozinho, a argola soltou-se.
O arranjo: na maioria dos casos, substitui-se o fecho por um novo do mesmo metal. Um fecho mais robusto pode ser uma boa ideia em pulseiras, que sofrem mais.
Brincos
- Tarraxa perdida: substitui-se por uma nova — a solução mais simples de todas.
- Espigão partido ou torto: solda-se um espigão novo.
- Argola de suspensão partida: refaz-se a argola.
- Converter brinco de pressão em brinco de argola (ou o contrário): muitas vezes é possível.
Anéis
- Aro gasto ou fino: com décadas de uso, a parte de baixo do aro adelgaça e pode partir. Reforça-se ou substitui-se essa zona.
- Aro partido: solda-se e pole-se.
- Tamanho errado: veja aumentar ou diminuir um anel.
- Anel deformado: volta à forma no mandril.
Pedras soltas e garras
As garras que seguram as pedras gastam-se e abrem com o tempo. Se uma pedra abana, pare de usar a peça até ser verificada — é assim que as pedras se perdem. As garras podem ser apertadas, reforçadas ou refeitas.
Peças amolgadas ou dobradas
Pendentes, pulseiras rígidas e brincos podem amolgar. Em peças maciças, o metal volta à forma com as ferramentas certas. Em peças ocas, é mais difícil: o metal fino pode rasgar. Em filigrana, veja o restauro de filigrana.
O que normalmente não tem arranjo
- Bijutaria em metal base com banho: não aguenta soldadura; o calor estraga o banho e o metal.
- Peças coladas: a cola não resiste ao calor.
- Peças ocas muito finas e esmagadas.
- Aço, titânio e tungsténio: exigem equipamento que um ourives tradicional não usa.
Mesmo nestes casos, às vezes há soluções criativas — transformar a peça, aproveitar uma parte. Pergunte.
O que fazer até à reparação
- Guarde todas as partes, incluindo pedras soltas e elos, num saquinho fechado.
- Não tente soldar, colar ou apertar em casa: muitas vezes torna o arranjo mais difícil.
- Não use a peça se uma pedra estiver solta.
- Tire uma fotografia nítida da avaria: é o suficiente para um primeiro orçamento.
Repare em vez de substituir
Reparar uma joia é quase sempre mais barato e mais sustentável do que comprar uma nova — e, nas peças com história, não há substituto. No atelier fazemos arranjo e reparação de joias em prata e ouro, com as mesmas técnicas tradicionais com que fazemos as nossas peças. Envie-nos uma fotografia e respondemos com orçamento.

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by Lea Nogueira

