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Técnicas

Forjado, repoussé e filigrana: três técnicas da ourivesaria tradicional

Martelo, relevo e fio: o que distingue as três técnicas que usamos no atelier, que peças nascem de cada uma, e qual escolher para começar.

Ignis Jewellery, , 3 min de leitura
Forjado, repoussé e filigrana: três técnicas da ourivesaria tradicional

No atelier Ignis trabalhamos sobretudo com três técnicas tradicionais. Todas transformam o metal à mão, sem moldes nem máquinas industriais, mas cada uma fala uma linguagem diferente. Conhecê-las ajuda a perceber as peças que vê numa montra — e a escolher por onde começar, se quiser aprender.

Forjado: dar forma com o martelo

Como funciona

No forjado, o metal é moldado a golpes de martelo sobre uma bigorna, um mandril ou um tas. Cada golpe empurra o metal numa direção: estica-o, adelgaça-o, curva-o ou engrossa-o. É uma técnica de deformação — não se tira nem se acrescenta material, muda-se a sua forma.

À medida que é martelado, o metal endurece e fica quebradiço. Chama-se a isto encruamento. Para continuar a trabalhar, é preciso recozê-lo: aquecê-lo com o maçarico até uma certa temperatura, para que a estrutura interna se reorganize e o metal volte a ficar maleável. O ritmo do forjado é este ciclo: martelar, recozer, martelar outra vez.

Ferramentas

Martelos de várias faces (planas, redondas, de pena), bigorna, mandris, tases e o maçarico para o recozimento.

O resultado

Peças com carácter orgânico e escultórico, em que se sente o gesto. Superfícies que guardam as marcas do martelo, ou que são polidas até ficarem lisas. Anéis, pulseiras rígidas, colares e brincos com linhas fluidas — como a nossa Pulseira Folhagem.

Para começar: sim. O Workshop de Forjado não exige experiência e mostra bem como o metal responde à mão.

Repoussé: o relevo nasce do verso

Como funciona

No repoussé, uma chapa de metal é fixada num suporte que a segura e amortece — tradicionalmente uma resina ou um betume de cinzelador — e é trabalhada pelo verso com cinzéis e martelo. Ao empurrar o metal de trás para a frente, cria-se volume na face visível.

Habitualmente, o repoussé combina-se com a cinzelagem, que trabalha pela frente para definir contornos, texturas e detalhe. A peça vai alternando entre as duas faces: solta-se do suporte, vira-se, volta a fixar-se, e o relevo vai crescendo.

Ferramentas

Cinzéis de várias pontas (de traçar, de modelar, de textura), martelo de cinzelar, suporte com resina e o maçarico, também aqui para recozer.

O resultado

Peças com volume, profundidade e jogos de luz e sombra: pendentes, placas, medalhas e elementos escultóricos. É a técnica que mais se aproxima do desenho e da escultura.

Para começar: ajuda ter bases de serrar e soldar. O Workshop de Repoussé decorre em duas sessões individuais de 3 horas.

Filigrana: desenhar com fio

Como funciona

Na filigrana, fios finíssimos de prata ou ouro são torcidos, laminados e enrolados em pequenos motivos que preenchem uma estrutura de fio mais grosso. No fim, tudo é soldado. É uma técnica de construção: a peça nasce da soma de centenas de pequenos elementos.

Ferramentas

Fieira e laminador para preparar o fio, pinças finas, tesouras, solda em pó e maçarico de chama fina.

O resultado

Peças abertas, leves e luminosas, com um aspeto de renda. É a técnica mais emblemática da joalharia portuguesa e a que pede mais paciência e precisão. Saiba mais no nosso guia sobre a filigrana portuguesa.

Para começar: sim. O Workshop de Filigrana é o mais procurado do atelier.

Lado a lado

  • Gesto: forjado — força e ritmo; repoussé — controlo e leitura do volume; filigrana — paciência e precisão.
  • Material de partida: forjado — fio ou barra; repoussé — chapa; filigrana — fio muito fino.
  • Peças típicas: forjado — anéis e pulseiras; repoussé — pendentes e placas; filigrana — brincos e pendentes delicados.
  • Para principiantes: forjado e filigrana, sim; repoussé, com algumas bases.

E se quiser aprender as três?

As três técnicas complementam-se. Uma peça pode ter uma estrutura forjada, um elemento em repoussé e um pormenor em filigrana. É precisamente isso que propomos no Programa de Iniciação à Ourivesaria: 8 aulas privadas, com as bases de bancada (serrar e soldar), as três técnicas, desenho aplicado à joalharia e o desenvolvimento de uma peça autoral do início ao fim.

Workshop

Programa de Iniciação à Ourivesaria

24 horas (8 sessões), adaptado à sua experiência. €1.200 por pessoa.

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